12 março 2010

Reinvente seu AMOR

As vezes os amores são seguramente a maneira mais inusitada de sofrimento.
As vezes o amor é, seguramente, a maneira mais ridícula de ficar feliz.
Talvez a tristeza de alguém ao meu lado traga uma tempestade incontrolável.
Talvez essa chuva molhe um campo seco, uma terra rachada de tanto sofrer com o sol.
Talvez uma linda rosa morra afogada, uma pele seca se encha de umidade.

28 fevereiro 2010

Preferências

Prefiro que tenham menos noção da minha vida.
Prefiro a morte natural ao suicídio, o frio ao calor, a chuva ao sol.
Prefiro sofrer à morrer sozinho, prefiro dias de risos aos dias de brigas.

Preferiria ser seco e frígido como um superfície de mármore, onde só a lava recém brotada pode esquentar.
Preferiria ter menos amigos, menos amores, menos paixões que a cada dia deixam meu coração mais e mais maduro.

Mas como já dizem, é bom quando causa estrago, quando dói.
É bom quando eu me sinto vivo e tenho plena convicção de que posso viver.
Por que sinto todos meus músculos se contraírem, sinto meus lábios se movendo para dar um leve sorriso, minhas sombrancelhas se juntando quando estou com raiva e o músculo mais agitado do meu corpo: sinto meu coração bater freneticamente de novo.


07 fevereiro 2010

(No) More cigarettes


Quando a fumaça do cigarro encontrou a superfície gelada da parede, ficou mais difícil de respirar.
Encostado e de costas pra ele, eu não sentia meus pés, nem minhas mãos: sentia apenas seu coração batendo mais forte.
O meu? Nunca parou de bater com tanta força quando encontrava ele.
Não precisaria enxergar, nem ouvir, nem falar...
O que me conforta é sentir sua presença.

27 janeiro 2010

A droga mais forte

Há alguns em que eu choro se me dão as costas, em que eu amo as risadas gostosas e aconchegantes dos meus amigos.
Eu sou viciado neles. São a morfina mais forte que eu poderia querer. São o ópio que eu uso pra fugir da realidade que me deixa desconfortável.
E são por esses que eu tento viver sem querer parar. Quero ouvir a voz deles até o último bater do meu coração. Quero sentir o efeito dessas drogas pra eu pensar em outras coisas, pensar que pode melhorar e que eles são o reflexo da minha existência.
E quando eu não aguentar mais, quando for um viciado em decadência, quero olhar pra eles e fazê-los dar o último sorriso que eu poderia ver. Seria minha overdose.

Obrigado Zaíra, Ana, Ana Cláudia, Cristiane, Bruna, Ana Paula, Janaina, Carol e Daiane, por terem tanta paciência comigo, esse meu jeito um tanto quanto cabeça-dura.

26 janeiro 2010

Um pedaço

Nessa manhã eu acordei achando que era um dia qualquer.
Me espreguicei lenta e preguiçosamente como sempre e joguei meus pés no chinelo já gasto.
Senti suas alças passarem por entre meus dedos, tão leve que achei não ter conseguido colocá-los corretamente.
Olhei para eles, pela primeira vez hoje, e percebi que havia acertado o alvo.
Mas algo estava estranho.
Quando dei o impulso necessário para me levantar, achei que ainda estava deitado com o peso distribuído uniformemente em meu corpo.
Demorei pra entender o que se passava.
Olhei novamente para meus pés e depois olhei pela primeira vez no meu travesseiro. Só aí me lembrei da noite passada.
Me lembrei que aquela água salgada no travesseiro eram lágrimas. Mas lágrimas de felicidade que com elas, você saiu e agora, nunca mais vai voltar.
Então dei apenas alguns passos à frente, abri a a janela do quarto e respirei, depois de anos, profunda e calorosamente.
Achei que meus pulmões não iriam suportar. Mas meu cérebro mandou uma mensagem que passou diante dos meus olhos e foi direto para o coração, que bateu regularmente.

A mensagem dizia:
"Pronto, agora você pode amar"

19 janeiro 2010

Meus erros

Preciso deixar você escondido no mais profundo de mim.
No baú mais escuro, com todas as milhares de chaves perdidas, sem nenhum chaveiro por perto. Todas os cadeados que eu coloquei durante esses 5 anos não foram o suficientes para me deixar protegido.
Mas já tem um bom tempo eu venho querendo mais. AGORA, EU quero mais.
Não quero me fechar e ficar seco, não quero me fechar e viver em uma bolha só você e eu. Cansei desse conto de fadas que nunca acontece e que o final feliz demora mais de 47 páginas pra acontecer. Cansa minha vista ler, cansa meus ouvidos te ouvir, cansa meu coração bater, cansa minhas mãos darem murros em ponta de faca.
Grande parte disso tudo é culpa minha, confesso. Mas eu sei como me castigar, como fazer para não fazer tudo de novo e deixar você chegar todas as vezes que quis perto do meu coração durante esses 5 anos.
Sei que já me perdi nos braços de outras pessoas tentando achar você, e que me perdi em mim mesmo, sem, por um bom tempo, saber ao menos que eu era. Quem eu sou e quem eu gosto de ser.
Ficar parado não adianta nada. Andar pra trás, menos ainda. Sem retrocesso. Uma vez você me disse: "Quem vive de passado é museu".
E agora eu percebo e caio em contradição, que não é você quem me machucava, era eu que tentava todas as vezes ser feliz da forma errada, ou com a pessoa errada. Mas eu relevo meus erros, porque sei onde erro e onde eu preciso melhorar.
Hoje eu sei o que não quero, sei o que não quero ser. Mas me limito já a ter certezas de algumas coisas. Sim, eu sei algumas coisas que eu quero. Uma delas: não querer mais me aproximar de você.
Prometo não sustentar mais essa ilusão. Me desintoxicar será tarefa difícil.
Deixar você, escondido, guardado, trancafiado no fundo da MINHA caixa de brinquedos é o mínimo que você merece, embora nossa história mereça algo melhor, algo maior.
Mas o sentimento que eu sinto por você, eu sei que também vou sentir por outra pessoa. E aí, demore o tempo que for, terei certeza de que será a pessoa certa.
Algumas vezes cheguei perto desse mesmo sentimento. Parecia que alguém cavava cada vez mais fundo no meu peito, pra chegar bem perto. E chegaram, duas vezes. Foi o suficiente pra saber que agora, eu posso mostrar pra outra pessoa que as 47 páginas são pouco pra mim. Eu quero uma eternidade. Eu quero uma vida.

Se me dá licença, eu peguei a minha vida, meu coração e minha história, de volta.