05 fevereiro 2013
Das épocas que não sentia...
Não sinto frio nos dias de inverno
nem calor nos mais quentes dias de verão.
Não sinto sede se corro
não sinto fome se acordo.
Nem fome se trabalho, nem fome se vivo, se respiro.
Já não sinto o ar, não sinto o vento nem sinto a água da chuva.
Perdi o tato e perdi o paladar.
Perdi o olfato e perdi a visão.
Me resta agora uma memória quase desmemoriada
Me resta agora um coração.
E eu já não sei
Nao sei se quero fazer esse coração bater.
Vai doer e vai arder
Vai coçar e bater mais forte
E vai ser cada vez mais intenso.
Não sei se estou preparado para escrever.
Não sei se estou preparado para voltar a viver.
Posso sentir, nesse exato momento, um bater descompassado
Desacelerado, fraco, frágil, totalmente fora de ritmo
Um passista que se perdeu na avenida
Um violino que estoura a corda
Perde totalmente o ritmo da sinfonia, da ópera, da vida.
Tão frágil que qualquer sentimento o fará parar.
Uma parada brusca, de susto.
Já não sinto medo
se me apontoam uma arma, se atiram,
se sangro, se me machucho.
Já não sou mais tão humano.
29 janeiro 2013
Dia Nacional da Visibilidade Trans - Sobre a liberdade do corpo
11 novembro 2010
Saí e me perdi no caminho de volta

27 outubro 2010
Dolores
15 outubro 2010
Eu não faço poesia
Limito-me a descobrir o fim do infinito. Procuro a concordância do incoerente.
Encontro as mil paredes do universo e deságuo dois mil litros de sangue, água púrpura do agreste nordestino. Coloco nas costas a culpa que o mundo não se culpa, o tom mais pesado daqueles que não têm culpa.
Traço e rabisco a primeira estrofe do verso e do versus, do contra e do favor (por favor). Subo alto. Subo até dois pés acima do cume da montanha. Dois pés impossíveis, invisíveis. Bebo essa água púrpura pra sentir o drama. Para sentir. É assim que me sinto. Não faço poesia.
Sinto.
(pausa)
Impossível? – risos.
Eu amo desafios.
05 outubro 2010
Desabafo #1
12 setembro 2010
Veneno
Se tirar um pedaço de mim era o que você queria, você conseguiu.
Se roubar minha esperança em alguém era o que você mais sonhava, que queria fazer disso uma Odisséia: você é meu Ulisses.
E se quando você disse que me amava era pra poder me dar conforto e me afagar da forma mais sutil possível, agora estou deitado em uma cama de ouriços do mar, venenosos, letais, infernais.
Se me tornei cego por um momento, queria na verdade ver até onde ia você e sua paixão.
E se a forma covarde como você age é o máximo que eu consigo ter, eu espero ser o único a sentir o gosto amargo e quente da pólvora.
Espero ser o único a ver o próprio sangue derramado no piso do corredor de casa, vermelho-paixão e quente que cause combustão.
